Quando a luz dos olhos meus…
não acredito em amor a primeira vista. simplesmente porque, tenho dito (polêmicas à parte), amor não é sentimento: amor é uma escolha feita todos os dias, baseada em carinho, respeito, dedicação e até mesmo em renuncias. paixão não, paixão é mesmo essa coisa meio louca e desgovernada que a gente se pergunta todos os dias quando acorda se é verdade ou não.
a paixão não tem justificativa, ou razão, e exatamente por isso há a possibilidade de que ocorra instantaneamente na primeira vez que olhares se cruzam.
acontece assim, com algumas variações: você olha no olho de alguém, sorri e passa. depois bota a mão na cabeça indignada: “eu preciso cruzar com ele(a) de novo!” ou “eu deveria perguntar de onde eu o conheço?” ou “como faço pra ver de novo?”. daí, que para minha tristeza não estamos num filme: o rapaz de barba perfeita não volta pra saber se você quer sair pra tomar um café, ou se voce está disponível para fazer qualquer coisa na sexta a noite que pode acabar com o que será melhor amasso da sua vida.
não sou phD em paixonite à primeira vista porque só tenho duas experiencias assim - o que já pode ser o bastante, já que tem gente que morre sem viver uma troca de olhares que provoca sensações intensas assim.
passei uma semana na praia insistindo para irmos toda noite no bar em que um moço de nome estranho tocava musicas românticas à la lulu santos. quase me sentia correspondida ao escutá-lo. mas amor de praia não sobe serra e eu só fui cruzar com o homem da minha vida hoje, saindo de um supermercado.
olho no olho. acenos de cabeça. tenho certeza que você também se apaixonou. será possível que está vivendo o mesmo tédio que eu?
o tédio faz-me apaixonante. então recosto minha cabeça no travesseiro, pego meu livro de cabeceira e penso em ti, anônimo.
Ana Luíza Barcelos
imagem: olhar outros olhares, de Tereza Robalo